Hoje em dia todos nós já ouvimos falar das maravilhas feitas pelo computador. Sabemos que é possível preparar no computador tudo quanto é tipo de texto seja uma redação, um fax, um jornal, uma revista ou um livro. Podemos executar cálculos simples que utilizam apenas as quatro operações básicas (multiplicar, dividir, somar e subtrair) ou fazer cálculos mais complexos como os utilizados em Geoprocessamento ou em Cálculos Estruturais de Engenharia Civil. Podemos trabalhar com imagens que vão de um simples desenho com traços infantis até sofisticadas animações tridimensionais apresentadas nas telas de cinema.
Tudo isto é possível porque o computador foi preparado para realizar cada uma dessas tarefas através de conjuntos de instruções sobre como elas devem ser feitas. A esses conjuntos damos o nome de "Programas". Há, basicamente, dois tipos de programas nos computadores: os programas que servem para nos ajudar em alguma aplicação específica do nosso dia-a-dia e os programas que servem de base para o funcionamento dos anteriores. Os primeiros são chamados "Aplicativos" e os outros de programas do "Sistema Operacional".
São os programas do sistema operacional que fazem com que o computador reconheça um apertar de uma tecla ou um movimento do mouse, que localizam a parte da memória em que uma informação será alocada ou de onde ela deverá ser recuperada. Todo computador precisa de um sistema operacional. Aplicativos são opcionais. Mas, sistema operacional é obrigatório. O motivo é simples se não preciso fazer contas no computador então não preciso de calculadora ou de planilha eletrônica. Se não preciso digitar textos então não preciso de um processador de textos. No entanto para ter qualquer aplicativo terei antes que ter um sistema operacional.
Se só posso instalar um aplicativo num computador se antes eu tiver um sistema operacional então o sistema operacional exerce um papel muito importante no computador e, também, uma influência muito grande nas potencialidades ou nas limitações de que disporei ao fazer minha opção por um determinado sistema operacional. Assim quando eu opto por utilizar um determinado sistema operacional, eu estou optando por utilizar os aplicativos criados para esse sistema operacional.
Hoje em dia, quando falamos em sistema operacional a grande maioria das pessoas pensa logo em algum versão do Windows (95, 98, 2000, XP etc). Na realidade, não existem vários Windows no mercado e sim várias versões diferentes de um mesmo Windows e todas desenvolvidas por uma mesma empresa. O que nos faz pensar que por melhor que seja a capacidade técnica dessa empresa, seus usuários vêem o mundo através das "janelas" criadas por ela, provavelmente, sem questionarem se em algum lugar não há "janelas" que permitam ver o mundo de um modo diferente ou se ainda é necessário ter janelas, pois, talvez não estejamos mais entre paredes.
Na década de 80, quando a IBM decidiu criar um microcomputador para uso pessoal, um equipamento que pudesse ser colocado numa mesa de escritório, o PC (Personal Computer), ela precisou de um sistema operacional que pudesse ser vendido junto com o mesmo já que sem ele, o computador não teria qualquer utilidade. Naturalmente, o nome microcomputador não estava relacionado com as dimensões físicas, propriamente ditas, deste novo aparelho e sim com a diferença de tamanho dele em relação ao tamanho dos computadores tradicionais que costumavam ocupar salas inteiras.
A IBM decidiu então contratar um pequena empresa de informática, a Microsoft, para desenvolver o sistema operacional que iria em cada microcomputador vendido. Na realidade, a Microsoft não tinha nenhum sistema operacional. Mas, conseguiu descobrir um programador que tinha feito um e comprou dele o direito de usá-lo do jeito que bem entendesse. Esse sistema operacional passou a se chamar MS-DOS (Microsoft - Disk Operating System).
Em vez de revender o MS-DOS para a IBM, a Microsoft descobriu um jeito de lucrar muito mais. A IBM teria que pagar à Microsoft uma taxa por cada computador vendido com o MS-DOS. Estava criado o conceito de licença de uso pessoal e intransferível. Paga-se para se ter o direito de usar um programa e não se pode transferir este direito para outro quando não mais o desejar.
Os micros PCs da IBM fizeram sucesso no mundo inteiro e a Microsoft com sua inovadora política comercial consegue enriquecer rapidamente. Vários programadores acalentam o sonho de enriquecer adotando as mesmas práticas de Bill Gates e passam a não mais compartilhar o código fonte de seus programas, isto é, o modo como eles foram escritos e que permite alterá-los. Passam até a proteger o código-fonte de todos os modos e passam, também, a licenciar os seus programas. Aparentemente, nada de mais. No entanto, a Sociedade passa a sofrer um grande desperdício do esforço coletivo de criação e a pagar um preço cada vez mais alto por isto, pois, por não ter acesso ao código-fonte de programas existentes cada programador passa a ter que recriá-los partindo do zero quando deseja pequenas alterações nos mesmos. E com as licenças instransferíveis gestos normais de cordialidade, amizade ou fraternidade tais como instalar um sistema operacional no micro de um vizinho cujo disco rígido deu problema e os disquetes de instalação dele estão danificados passam a ser considerados crimes quando na realidade não passam do desejo natural do ser humano de ajudar outro ser humano.
No início da década de 90, encontramos novamente IBM e Microsoft em parceria. Desta vez para desenvolver um sistema operacional com interface gráfica semelhante ao que era utilizado nos micros da Apple. Passados alguns anos a parceria é desfeita. A Microsoft lança o Windows e a IBM o OS/2. Tecnicamente, o OS/2 era muito superior ao Windows. No entanto, como necesitava de equipamentos mais velozes e mais rápidos que os da maioria das pessoas, acabou não resistindo a intensa campanha de marketing da Microsoft.
Tendo amplos conhecimentos técnicos do Windows já que era a criadora do mesmo e dispondo inclusive de acesso à funções não documentadas (ou seja, não passadas para os outros programadores), a Microsoft faz algo teoricamente proibido (mas, só teoricamente) em países que se dizem adiantados. Ela decide entrar com toda força no mercado de aplicativos e cria o Microsoft Office (um pacote contendo processador de texto, planilha eletrônica e programa para apresentações eletrônicas). O motivo de ser teoricamente proibido é simples, qualquer outro concorrente na área de aplicativos estaria em desvantagem técnica em relação à Microsoft já que estaria concorrendo com a empresa que mais conhece o sistema operacional em que esses aplicativos serão utilizados. O resultado mais do que esperado foi a eliminação natural dos concorrentes na área de aplicativos e uma monopolização cada vez maior do mercado.
Numa das versões do Windows, decide também oferecer aos usuários de Windows um navegador de páginas na Internet e um programa para correio eletrônico. E embora os navegadores de páginas da Internet sigam as normas definidas pelo W3C. O Internet Explorer passa a querer criar os seus próprios padrões e incompatíveis com os definidos mundialmente. Com isto, as páginas de internet criadas por programadores que utilizavam o Internet Explorer deixam de ser totalmente compatíveis com os outros navegadores o que faz com que a maioria dos usuários desses outros navegadores deixe de utilizá-los.
O tempo passa e diversas empresas recorrem a justiça dos Estados Unidos abrindo processo contra a Microsoft a fim de que a mesma seja dividida em duas empresas uma de sistemas operacionais e outra de aplicativos. Os processos duram anos e quando, finalmente, está prestes a ocorrer uma vitória do lado que havia sido lesado, ocorre uma das mais fraudulentas eleições de presidente na América do Norte, na qual a Microsoft aparece como 3ª maior doadora da campanha eleitoral do presidente fraudador com a quantia de US$ 2.4 milhões e, para surpresa geral, logo que o mesmo é eleito, o processo é engavetado.
Mais tarde, quando o Governo do Rio Grande do Sul apresenta os resultados extraordinários obtidos após deixar de usar produtos da Microsoft e o Lula é eleito, vemos um Bill Gates convidando-o imediatamente para conversar. Mas, é tarde. Já se sabe que 80% das vendas da bilionária Microsoft no Brasil são para o extremamente endividado Governo Brasileiro e que as vendas da Microsoft para o Governo Federal só podem ser feitas por uma única empresa o que impede a concorrência de preços favorecendo o fornecedor. No entanto, não bastasse tudo isto, muitos já conhecem o Linux, conhecem a filosofia e as vantagens do software livre e melhor ainda desejam experimentá-lo.
E esse Linux como surgiu de uma hora para outra em todos os lugares e encantando aqueles que decidiram experimentá-lo?
Em 1991, na Finlândia, um jovem estudante de computação, com apenas 19 anos, chamado Linus Torvalds, decide criar como hobby um sistema operacional livre, ou seja, livre para copiar, modificar e distribuir. Em 25 de agosto de 1991, a notícia é divulgada na Internet e, em 17 de setembro de 1991, é disponibilizada a versão 0.01 do sistema que alguns anos mais tarde seria conhecido e utilizado no mundo inteiro. Seu objetivo era apenas fazer um sistema mais estável e modular que o DOS e que pudesse ser melhorado por qualquer um.
Diversos programadores de todas as nacionalidades decidem ajudá-lo nesta empreitada. E gradativamente o Linux vai se tornando um sistema operacional cada vez melhor. Inicialmente, empregado, quase que exclusivamente, como servidor de rede passa pouco a pouco a conquistar o usuário comum tornando-se cada vez mais fácil de utilizar e mais bonito. As revistas do Linux com seu tradicional Tux (o pingüim adotado como símbolo) invadem as bancas de jornais e as livrarias de informática passam a oferecer uma variedade cada vez maior de títulos relacionados ao Linux. Os Governos passam a ver os benefícios que podem obter com a sua utilização e passam a adotá-lo. Grandes empresas da área de equipamentos computacionais portáteis ou de mesa resolvem adotá-lo e empregá-lo em seus produtos barateando assim os preços de seus produtos para o mercado consumidor.
A Microsoft decide combatê-lo por todos os meios. Mas, a IBM ex-parceira abandonada da Microsoft decide apoiá-lo. Em 2000, a Microsoft consegue o apoio da ABES (Associação Brasileira de Empresas de Software) para promover uma das maiores campanhas de perseguição a usuários de cópias piratas é a tática do amedrontamento. Ex-funcionários magoados com suas empresas, passam a denunciá-las fazendo com que paguem multas estratosféricas. O Metrô de São Paulo tenta fazer um acordo com a Microsoft para legalizar suas cópias piratas de produtos Microsoft. Mas, a proposta oferecida pela Microsoft é inaceitável fazendo com que o Metrô-SP passe a adotar software livre na área de aplicativos e impulsionando a utilização do OpenOffice e do Software Livre em todo o Brasil.
O Rio Grande do Sul decide adotar somente Software Livre em toda a administração pública e consegue ótimos resultados sociais e econômicos.
A SCO uma gigante na área de informática decide processar os usuários de Linux. Mas, a comunidade internacional desses usuários se une e a SCO perde a luta. Mais uma vitória do Linux!
Sérgio Amadeu, uma das maiores autoridades brasileiras na área de informática e defensor ferrenho do Software Livre compara a tática da Microsoft de oferecer software grátis a governos para programas de inclusão digital com as empregadas pelos traficantes de drogas (a primeira dose é grátis). A Microsoft decide processá-lo judicialmente. No entanto, várias personalidades importantes já haviam feito esta mesma comparação anteriormente. A Microsoft retira a queixa. E enquanto tudo isto vai ocorrendo o Linux vai se tornando cada vez mais conhecido e querido nos ambientes de trabalho e, também, nos lares.
Inicialmente, ignorado pela maioria. Depois, tachado de "sistema operacional para Hacker". E agora atacado ferozmente por aqueles que auferiram grandes lucros com modelos comerciais impostos e não acordados. O Linux, totalmente maduro, caminha para a vitória final da Paz e da Solidariedade sobre a cobiça e o egoísmo. Mais uma vez a vitória está garantida!
| Distribuição | Autor | Principais Características |
|---|---|---|
| Conectiva Linux | Conectiva S.A Paraná | 1) Grande quantidade de programas |
| Kurumin | Carlos E. Morimoto |
1) Roda num Mini-CD sem precisar instalar 2) Baseada no Knoppix e Debian |
| Kurumin Cacique | 1) Roda num CD sem precisar instalar | |
| Kalango | Grupo de ex-usuários do Kurumin |
1) Roda num CD sem precisar instalar; 2) Baseada no Kurumin |
| Libertas | Prodabel Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte |
1) Baseada no Red Hat 2) Utilizado num projeto de inclusão digital da Prefeitura de Belo Horizonte nas Escolas Públicas. |
| Freedows | Consórcio entre a Cobra Tecnologia e a Free Software |
1) Possui uma aparência muito parecida com a do WinXP; 2) Roda vários programas do WinXP através de emuladores; 3) Não fornece o código-fonte; 4) Esquema de licenças individuais; |
Ao buscar programas para Linux equivalentes aos utilizados no Windows é necessário levar em consideração o princípio básico de programação utilizado em cada um dos dois ambientes.
No Windows, o princípio básico é "Tudo em um". Cada desenvolvedor de programas quer agregar o máximo de funcionalidades ao seu programa, mesmo que elas apresentem falhas de programação.
No UNIX/Linux, cada componente (ou programa) deve executar somente uma tarefa, porém, executá-la bem. Fazer uma coisa. Mas fazer bem feito. Isto permite que cada componente desenvolvido possa ser perfeitamente integrado a outros já existentes ou que venham a ser criados. Tudo se passa como num brinquedo de Lego onde pequenas partes são combinadas entre si produzindo uma grande variedade de possibilidades em que o conhecimento acumulado é sempre reaproveitado.
Na tabela seguinte damos uma relação de alguns dos principais programas de computador utilizados no Windows e os principais equivalente no Linux. Foi dada ênfase nos equivalentes Linux criados para a interface gráfica KDE. Além disto, alguns programas podem necessitar de um emulador para rodar no Linux, ou seja, um programa que faz ele pensar que está no Windows e não no Linux. O mais conhecido é o Wine.
| Tipo de Programa | Windows | Linux |
|---|---|---|
| Navegadores Web | Internet Explorer, Netscape, Mozilla e Ópera |
1) Netscape / Mozilla 2) Konqueror 3) Galeon |
| Clientes de E-Mail | Outlook Express, Microsoft Outlook, Pegasus Mail, Eudora |
1) Evolution 2) Netscape / Mozilla 3) Kmail 4) Balsa 5) Althea 6) Aethera |
| Clientes FTP | CuteFTP, WS_FTP |
1) Gftp 2) Kbear |
| Comunicação por Voz | Speak Freely | 1) Speak Freely |
| Gerenciador de Arquivos | Norton Commander |
1) X Northern Captain 2) Portos Commander |
| Editor de Textos | NotePad, WordPad |
1) Kedit 2) KWrite |
| Compressores de Arquivos | WinZip, WinRar |
1) Gnozip 2) Karchiveur |
| Criador de PDF | Adobe Acrobat Distiller | 1) OpenOffice |
| Sintetizadores de Voz | MS text to speech | 1) KDE Voice Plugins |
| Reprodutor de MP3 | Winamp |
1) XMMS 2) Noatun |
| Programa para Gravação de CD | Nero, Roxio, Easy CD Creator |
1) K3b 2) X-CD-Roast 3) CD Bake Oven |
| Reprodutor de CD | CD Player |
1) KsCD 2) Xmcd |
| Programas Gráficos Simples | Paint | 1) Tuxpaint (infantil) |
| Programas Gráficos para Fotos | Adobe PhotoShop, Gimp para Windows e Paint Shop Pro |
1) Gimp, FilmGimp 2) ImageMagick |
| Programas Gráficos para Desenhos Vetoriais | Adobe Illustrator, Corel Draw 14, Freehand, AutoSketch |
1) Sodipodi 2) Xfig 3) Sketch 4) Kabon14 e Kontour 5) OpenOffice Draw 6) Dia |
| Criação de Flash | Macromedia Flash |
1) DrawSWF 2) Ming |
| Criação de Imagens para Internet | Macromedia Fireworks | 1) Gimp |
| Imagens Tridimensionais | 3D Studio Max |
1) Blender 2) K3Studio |
| Pacotes para Automação de Escritórios | MSOffice e OpenOffice |
1) OpenOffice 2) Koffice |
| Editor HTML | HomeSite |
1) Quanta Plus 2) Blue Fish |
Fonte da Tabela de Compatibilidade:
Palestra proferida por Carlos Alberto Gomes da Silva na
Cooperativa Cultural dos Esperantistas em 20 de agosto de 2004.
PDF: 145 KBytes.