Kultura Kooperativo de Esperantistoj
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KKE » Palestras » O que é a SAT

S.A.T. é a abreviatura de "Sennacieca Asocio Tutmonda" (Associação Mundial dos Sem-Nacionalidades).

A S.A.T. foi fundada em agosto de 1921, por ocasião do Congresso Universal de Esperanto, realizado em Praga, na República Tcheca.

De acordo com os seus estatutos, a SAT objetiva:

  1. utilizar na prática a língua internacional Esperanto para os objetivos da classe trabalhadora mundial.
  2. Facilitar, da melhor maneira possível e digna, as relações entre seus membros de tal forma fazendo crescer entre eles um forte sentimento de solidariedade humana.
  3. Ensinar e esclarecer seus membros de tal maneira que eles se tornem nos mais capazes e nos mais perfeitos dos assim chamados "internacionalistas".
  4. Servir como mediador nas relações entre associações que não usem a mesma língua, mas cujos objetivos sejam análogos aos da SAT.
  5. Mediar e, de todas as maneiras possíveis, ajudar o surgimento de uma literatura (original e traduzida) que reflitam o ideal da Associação.

A SAT, não sendo um partido político, mas tão somente uma organização educativa e cultural, objetiva que seus membros sejam compreensíveis e tolerantes em relação a escolas ou sistemas políticos e filosóficos sobre os quais se apoiam os diferentes partidos que representem a classe trabalhadora ou os seus respectivos sindicatos; pela comparação de fatos ou idéias e pela livre discussão, ela objetiva evitar o dogmatismo dos ensinamentos que seus membros recebem em suas respectivas áreas.

Em uma palavra, a SAT objetiva, pelo constante uso de uma língua racionalmente pensada e sua aplicação em escala mundial, ajudar na criação de espíritos racionais e pensantes, capazes de comparar corretamente, compreender e julgar de forma adequada idéias, teses, tendências e, conseqüentemente, capazes de escolher com plena independência o caminho, que achar correto ou adequado para a libertação de sua classe e a condução da humanidade ao mais alto degrau possível de civilização e de cultura.

A SAT é dirigida por um Comitê de seis membros que elegem entre si um Presidente. Cada sócio ativo tem o direito de receber o órgão oficial (Sennaciulo=mensal) e o anuário (Jarlibro), além de participar de referendos e de votar durante os Congressos anuais.

Funcionam na SAT facções, que se constituem da reunião de adeptos de um mesmo partido político ou tendência. Cada facção, devidamente reconhecida pelo Comitê Diretor, tem o direito de dispor de um espaço no órgão oficial da instituição para expor suas idéias. Logicamente, o funcionamento de uma facção não poderá colidir com os interesses maiores da SAT.

A atual sede da SAT encontra-se em Paris, sendo o atual Presidente do Comitê Diretor o belga Jakvo Schram, recém-eleito para o cargo.

Antecedentes Históricos

Embora tenha nascido da vontade dos trabalhadores reunidos em Praga, em 1921, a SAT se confunde com o seu principal ideólogo e grande líder Eŭgeno Lanti.

Nascido Eugéne Aristide Alfred Adam, em Néhou, na França, em 19 de julho de 1879, tornou-se famoso através do pseudônimo Eugeno Lanti, atribuído a ele pelo fato de que, no início de sua participação nas atividades políticas, costumava levantar-se para, geralmente, expressar seu ponto de vista contrário ao que estava sendo debatido ("l'anti", em francês, "aquele que contraria").

Filho de pais analfabetos, simples camponeses, Lanti teve apenas uma educação elementar em sua cidade natal. Seu enorme saber, entretanto, foi adquirido autodidaticamente e como um aluno aplicado dos cursos noturnos para adultos nos liceus de Charlemagne e Condorcet. O pai desejava que se tornasse agricultor, mas o jovem Lanti resolveu aprender um ofício, tornando-se marceneiro. Posteriormente, após longos estudos, especializa-se em seu ofício, tornando-se professor concursado de escola elementar na especialidade "desenho de mobiliário".

Dois pensadores tiveram influência decisiva na formação política e filosófica de Lanti: o anarquista Sebastian Favre e o filósofo Henry Ner. Lanti apropriou para si o ideário anarquista e, a partir daí, forjou a sua imagem de uma sociedade ideal: "Desapareçam todas as nações e todo e qualquer nacionalismo". Mas indo mais além, Lanti declara que somente uma língua planejada pode funcionar como língua franca num mundo sem estados nacionais. Para ele, o Esperanto seria a língua principal dos verdadeiros "sennaciuloj", enquanto que suas respectivas línguas nacionais seriam meras coadjuvantes.

Lanti iniciou seus estudos de Esperanto autodidaticamente em dezembro de 1914. Com um colega de exército, Lecomte, prosseguiu seus estudos de Esperanto durante a Guerra. Para ele, a partir daí, ficava cada vez mais claro que "sem um instrumento comum de entendimento entre os homens se tornaria impossível o desaparecimento das nações". Por consegüinte, o estudo de uma língua planejada internacional seria um dever para cada socialista consciente.

Em 1919, Lanti conhece, numa reunião destinada a restaurar uma organização trabalhista que existia antes da 1ª Guerra Mundial ("Liberiga Stelo"), dois camaradas que, daí para frente, se tornarão seus fiéis escudeiros: Bannier e Glodeau. Lanti torna-se o redator do órgão oficial dessa organização trabalhista (primeiramente, "Le Travailleur Esperantiste"; posteriormente "Esperantista Laboristo").

Em três artigos principais, reunidos numa brochura denominada "For la Neutralismon" (Fora o neutralismo), Lanti conclui que, primeiramente, os proletários esperantistas devem se tornar independentes dos burgueses esperantistas reunidos na UEA, organizando-se na base da luta de classes, o que significaria que essa nova organização dos trabalhadores esperantistas a ser criada consideraria o Esperanto não como objetivo, mas sim como meio para derrubar a ordem capitalista. Estava preparado o terreno para o surgimento da SAT, em Praga, em 1921.

Desde o começo da SAT, Lanti adotou como princípio permitir a mais completa liberdade autoral. Dizia ele: "A vida mesma e somente a vida poderá solucionar a questão sobre a evolução ou petrificação de nossa língua".

Em agosto de 1922, Lanti viaja a Moscou e consegue atrair para a SAT a nata do movimento esperantista soviético: Demidjuk, Futerfas, Nekrasov, Rozemblat e Drezen.

No decorrer da década de 20, face à importância da participação quantitativa dos soviéticos nos quadros da SAT, Drezen, na qualidade de principal dirigente esperantista na União Soviética, se constituirá no maior rival de Lanti no âmbito da SAT. Enquanto Drezen postulava uma maior participação dos comunistas nos destinos da SAT, já que esta facção era majoritária, Lanti, apesar de comunista até 1928, sempre defendeu uma participação igualitária das diferentes facções proletárias existentes na SAT: anarquistas, socialistas, social-democratas e comunistas. Este antagonismo entre Lanti e Drezen irá desaguar no cisma que, em 1931, ocasiona a retirada da SAT dos esperantistas soviéticos e a conseqüente fundação da IPE (Internacio de Proletaj Esperantistoj = Internacional de Esperantistas Proletários).

Além de sua atuação política na SAT, Lanti contribuiu entusiasticamente para o surgimento do primeiro dicionário Esperanto/Esperanto (Plena Vortaro).

É também de sua lavra "Manifesto de la Sennaciistoj" (1931), onde ele defende claramente a importância da adoção de uma língua comum para a classe trabalhadora como premissa básica para o seu sucesso na luta de classes. Lanti também foi responsável pela tradução para o Esperanto da obra de Voltaire "Candide". Além, é claro, de incontáveis artigos sobre política e "sennaciismo" publicados no órgão oficial da SAT ou, em alguns casos, através de separatas.

Em 1933, Lanti decide deixar a Presidência da SAT. Em 11/06/1936, parte para uma viagem ao exterior, da qual jamais retornará. Após breve estada na Espanha e Portugal, viaja para o Japão, onde permanece algum tempo. Depois, seguem-se Austrália, Nova Zelândia, Urugüai, Argentina, Chile e, finalmente, México, onde vem a falecer, em 1947, de maneira trágica.

A SAT Hoje

De acordo com dados disponíveis extraídos de uma entrevista do atual Presidente da SAT, JAKVO SCHRAM, à revista La Ondo de Esperanto, a instituição dispõe atualmente de 881 membros em 557 diferentes cidades do mundo. O país com maior número de sócios é a França, enquanto que o movimento no Japão mostra sinais evidentes de um promissor crescimento.

Ainda de acordo com o atual Presidente, "a SAT não é uma organização esperantista, mas uma associação que usa o Esperanto como língua de trabalho. De fato, cada estudante da língua universal deveria estar orgulhoso pelo fato de existir uma associação que defende os direitos humanos e a biodiversidade usando a língua de Zamenhof". "Sennaciistoj" não são contrários ao local de nascimento de cada um, mas contrários ao nacionalismo, que é a causa primária das guerras e da carnificina humana". "As idéias que hoje são veiculadas nos fóruns sociais globais, foram há mais de 80 anos lançadas pioneiramente pela SAT".

Mais informações sobre a SAT: http://satesperanto.free.fr

Palestra proferida por Aloísio Sartorato nas dependências da Cooperativa Cultural dos Esperantistas em 9 de maio de 2003.

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