Tendo nascido na Itália há alguns séculos, o balé foi introduzido depois na França, Inglaterra, Dinamarca e Rússia, com diversas escolas. Hoje, na China, muitos artistas trabalham nessa arte. O balé é exibido nas cidades e é muito apreciado pela juventude.
Yu Rongling, dama de honra da mãe do Imperador Cixi da Dinastia de Qeng (1644 - 1911 d.C.) foi a primeira estrela do balé chinês. Originária de família nobre residiu outrora em Paris com seu pai, enviado pelo governo à França. Em 1900, com 18 anos, ela começou a aprender dança moderna com a famosa dançarina dos Estados Unidos, Isadora Duncan, em Paris. Depois, ela aprendeu balé no Instituto Estadual de Música e Dança de Paris. Ela participou como fada-borboleta no balé "Rosa e Borboleta", exibido no Teatro Nacional da França. Ela brilhava também nas danças espanhola e grega e era uma sensação em Paris. Tendo regressado à China, ela dançava apenas para o Imperador e nunca exibia seu talento ao público.
No começo do século XX iniciou-se o intercâmbio cultural entre os chineses e o Ocidente e professores de dança de outros países, vieram para a China. Entre eles, destacou-se o casal Ŝakovskij, refugiados russos, que em Xangai criaram um grupo de balé e uma escola de arte para estudantes chineses.
Dos alunos do casal, a senhorita Hu Rongrong foi a que mais se distinguiu. Desde os cinco anos de idade ela estudou balé com o casal. O aprendizado durou 15 anos. Ela se lembra bem que naquela época, em toda estação Xangai tinha apresentação de balé, das quais participavam dançarinos de nacionalidades diferentes. Ela, freqüentemente, desempenhava o papel principal e por isso, rapidamente, ficou famosa. A maior parte dos espectadores eram europeus e da elite cultural chinesa.
A senhorita Dai Ailian, chinesa que morava na Inglaterra, era aluna de Anton Dolin, mestre famoso da arte. Mais tarde, ensinou-lhe também a mestre Marie Rambet. Durante a segunda guerra mundial ela interrompeu seus estudos e regressou à China. Ela e Hu Rongrong foram as pioneiras do balé da Nova China e atuavam, respectivamente, como dirigentes dos Grupos de Balé Central de Pequim e de Xangai
Após a revolução cultural de 1949, a convite do governo, o casal Ŝakovskij ensinou balé no Instituto Central de Teatro de Pequim. Entre 1954 e 1956, o consagrado ator P.A. Guŝsev e outros da antiga União Soviética, também a convite do governo chinês, trouxeram à China, dançarinos e instrutores, para ensinar coreografias. Eles ajudaram a implantar a primeira escola de dança. E assim começou o balé após a revolução cultural.
Julho de 1958 é uma data digna de ser lembrada na história do balé chinês. É que com a ajuda dos artistas soviéticos, naquela data, a Escola de Dança de Pequim, pela primeira vez, encenou o balé "Lago dos Cisnes", que P.A. Gusev considerou como uma prova corajosa, pois, anteriormente, nenhuma escola de dança o apresentara completo.
A estudante de dezoito anos Bai Shaxiang foi a primeira dançarina na China que, com sucesso, desempenhou o papel do "cisne".
Em 1959, os primeiros diplomados da escola fundaram um grupo experimental de balé, que, posteriormente, chamou-se Grupo Central de Balé. Eles apresentavam balés clássicos como "O Corsário", "Giselle", "A Cautela Inútil", e "A Esmeralda".
No começo dos anos cinqüenta, pela primeira vez, o balé foi apresentado também para o público chinês, em forma de teatro de rua, com o nome de "Pombo Para a Paz", escrita pelo famoso dramaturgo Ouyang Yuqiam para exaltar a paz no mundo. Condicionados a tradicionais concepções estéticas, a maior parte dos chineses da época não podia aceitar aquela arte. Mas, posteriormente, tudo se modificou e os artistas chineses criaram seus próprios balés.
Em 1964, o Conjunto Central de Balé apresentou a peça "Grupo da Mulher Vermelha", criada por Li Chengxiang, Jiang Zuhui e Wang Xixian, em cima de um verdadeiro acontecimento: conduzidos pelo Partido Comunista da China, uma escrava e outras pobres mulheres da Ilha Hainan libertaram-se do domínio feudalista e se fizeram soldados para ganhar a liberdade nacional.
Dois anos depois, a Escola de Dança de Xangai exibiu o balé moderno "A Menina de Cabelos Brancos", sobre o verdadeiro acontecimento no norte da China. Xier , filha de um locatário, escondeu-se na montanha para escapar de insuportável tormento de um tirânico proprietário. Depois da libertação ela começou vida nova. Hu Rongrong, Lin Yangyang, Fu Aidi e Chrng Daihui encenaram esse drama.
O balé popular fez tanto sucesso na China, que passou a ser filmado, o que permitiu sua divulgação para milhares de camponeses e trabalhadores, popularizando e valorizando a arte.
Esta matéria foi publicada, em Esperanto, na revista chinesa "El Popola Ĉinio"
e traduzida para o português pelo Clube de Esperanto de Campos.
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