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KKE » Notícias do Mundo » Escravidão Sexual - Será um desafio para o Século 21?

Todo ano, de acordo com a Organização Internacional para a Migração (OIM) em Genebra, entre 500.000 e 700.000 mulheres e jovens tornam-se escravos do sexo. Trata-se, em grande parte, de jovens enganadas pelas mentiras sobre trabalho e promessas de melhor vida, que caem nas mãos de aliciadores. Às vezes, segundo vítimas que conseguiram fugir, elas eram iludidas até mesmo por familiares e amigos.

Contribui para o crescimento da escravidão sexual na Europa, por exemplo, o colapso do comunismo na Europa Oriental, os conflitos militares nos Bálcãs, o desemprego, a globalização, o deslocamento humano, o aumento de "serviços de caráter privado", nos países evoluídos e também na Internet.

Por que elas se tornam vítimas? Em um vilarejo na Moldávia falta água e eletricidade e as pessoas vivem na miséria. Kátia, jovem local caiu na malha de uma rede de aliciadores. Levada para S.Petersburgo na Rússia, ela viu que seu trabalho seria de prostituta. "Eis o que eu quero dizer às jovens", diz Kátia, com 19 anos: "Não vá para o exterior - ninguém ali lhe ajudará. Melhor seria se você vivesse simplesmente, trabalhasse em qualquer lugar, vivendo de suas posses. Meu único desejo é encontrar trabalho e formar uma família num ambiente de amor."

Garçonete

Ana, da Moldávia, decidiu que iria trabalhar como garçonete em Bruxelas. Todavia, chegando lá, ficou evidente que ela ia praticar outra profissão. "Eu não queria fazer aquilo". Por isso, adoeci. Na Moldávia, onde nós vivemos pobremente, não se deve fazer tal trabalho", diz Ana. E Natasha, da Ucrânia, de 28 anos e já viúva. Prometeram-lhe que ela trabalharia em uma lanchonete mas de fato tratava-se de prostituição.

Esta é a sorte de mais de 200.000 jovens todo ano, algumas, até de 14 anos, das ex-repúblicas da União Soviética e do sudeste da Europa. Elas tentam fugir da miséria e da fome e facilmente acreditam nas mentiras dos aliciadores. Depois elas enfrentam a realidade cruel. As jovens são enganadas por pequenos anúncios nos jornais e na Internet ou por informações verbais de traficantes.

Algumas mulheres são logo vendidas nos Bálcãs, antes de chegarem à Europa ocidental. Aquilo que acontece no Clube Mozart, no sul da Sérvia, não se pode chamar de música. Policiais encontraram ali jovens da Romênia e da Ucrânia, que como prostitutas devem, noite e dia, se dispor aos clientes. Elas recebem somente seis reais por dia e uma carteira de cigarros.

Donos de Bordéis

A maior parte das prostitutas nos Bálcãs são vendidas como mercadorias aos agenciadores e prostíbulos. O preço de compra na Romênia, por exemplo, varia de 50 a 200 euros. Em Kosovo paga-se entre 700 e 2.500 euros por mulher. Os lucros dos aliciadores e dos prostíbulos são muito altos. Com mais e mais freqüência caem adolescentes e até mesmo crianças nas mãos dos intermediários. Por isso, aproximadamente 80% das jovens provenientes da Albânia, têm menos de 18 anos.

Somente algumas vítimas recebem auxílio e amparo. Se a polícia as apanha elas correm o risco de serem presas e expulsas. A polícia e outras autoridades tratam o problema com desprezo e indiferença.

De acordo com organizações não governamentais, anualmente, a maioria das 120.000 mulheres e crianças do oriente e sudeste europeu é contrabandeada, através dos Bálcãs, para países da União Européia, onde elas são vendidas para a exploração sexual e prostituição.

Crianças

Nos últimos anos também o comércio de crianças cresceu. AS crianças são obrigadas a esmolar e trabalhar nos países ocidentais. Freqüentemente, em países como a Moldávia, Ucrânia e outras repúblicas da ex-União Soviética, vizinhos ou agentes do próprio local, mediante oferta de dinheiro e falsas propostas de trabalho, convencem os pais que, no exterior, seus filhos gozarão de melhor vida. Neste caso, também os pais são vítimas do mesmo modo que as crianças.

Assim, comerciantes do leste europeu e dos Bálcãs se beneficiam de seus crimes com bilhões de euros, aproveitando-se, ao mesmo tempo, do sistema judiciário, que quase não pune tais más ações.

A Organização Internacional para Migração auxilia as vítimas a escapar dos criminosos e reencontrar sentido em suas vidas. Kátia, da Moldávia, agora trabalha de dia, reconstruindo uma casa para a juventude em sua vila; ela também freqüenta um curso para agricultores. Kátia acredita que poderá encontrar trabalho para si e suas crianças e nunca mais voltará ao terror que viveu como prostituta. Pela sua ação na Bulgária durante os últimos dois anos a IOM (Organização Internacional para a Migração) ajudou quarenta mulheres a voltarem a seus países de origem.

Esta matéria foi publicada, em Esperanto,
na Revista Belga Monato e traduzida para
o português pelo Clube de Esperanto de Campos.

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