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KKE » Notícias do Mundo » Congo - Entre o Comércio e a Política

Como nasceu a república democrática do congo? Elisée Bj'elongo, agora vivendo na África do Sul fala sobre seu país.

Como surgiu o Congo

Tudo teve início no começo do século 19, quando o mundo começou a interessar-se pela África. Por volta de 1850 o Congo independente atraiu o interesse de povos da raça branca, principalmente alemães, que vieram a procura de minerais e para fins comerciais. Durante a Conferência de Berlim em 1884/1885 o Congo foi doado à Bélgica, que explorou o país como quis. Os cidadãos deviam trabalhar à força. Pouco a pouco a coisa tomou outro rumo. O Congo tornou-se propriedade do rei Leopoldo II. Ele se apropriou de Ruanda-Urundonusumburam, que veio a ser posteriormente Ruanda e Burundi. Essas duas últimas dependeram, principalmente, da cidade de Leopoldo (atual Kinshasa), para sua administração. Quanto mais a cidade de Leopoldo prosperava, mais o rei Leopoldo enriquecia. Felizmente, ele era muito trabalhador e construiu muitas cidades bonitas. A cidade de Leopoldo tornou-se uma das maiores e mais bonitas cidades da África daquela época. Construíu-se não só muitos apartamentos para missionários, mas também muitas escolas primárias e secundárias.

Como aconteceu a Independência

Até os anos 50 do século XX o Congo tinha muitos intelectuais que se interessavam pela política do território. Emery Patrice Lumumba tornou-se primeiro ministro do primeiro governo independente, cujo presidente era Joseph Kasavubu. Este último, também militar graduado, foi usado pelos brancos enquanto Lumumba lutava ao lado do partido MNC (Movimento Nacional Congolês) pregando um africanismo e exigindo a independência do país. Fundaram-se alguns outros partidos, como por exemplo, o ABACO. Porque a Bélgica preferia não perder o Congo, prendeu-se Lumumba. Para uma avaliação da situação política, preparou-se uma conferência, cujos participantes exigiam a presença e participação de Lumumba. Os belgas deviam trazer Lumumba da prisão, para que ele participasse das negociações!

Entre outras coisas e pela ação desse famoso cidadão os brancos decidiram, finalmente, libertar o Congo. A 30 de Junho de 1960, foi proclamada a independência do país, que, posteriormente, foi denominado República Democrática do Congo.

O que aconteceu depois

Existia uma pessoa cujos pais trabalhavam na casa de um missionário; era Jozefo Desire Mobutu, que foi mandado para uma escola católica. Posteriormente, ele entrou para a escola militar, na capital, onde após curto tempo chegou a suboficial. Ele trabalhava como jornalista no primeiro exército do Congo. O governo concedeu-lhe uma bolsa de estudo para ele estudar jornalismo na Bélgica. Ali, Mobutu travou conhecimento com políticos do governo belga. Quando voltou para casa Lumumba nomeou-o seu secretário particular. Quanto mais anos passavam, mais Mobutu habituava-se com a política. Mobutu, de fato devia ler os documentos de Lumumba. O presidente Kasavubu nomeou Mobutu para a diretoria do exército. À partir daí ele exerceu as funções de ministro da defesa e chefe do estado maior. Sendo um colaborador dos Belgas, enquanto o presidente e o primeiro ministro se desentendiam, Mobutu, por um golpe de estado, proclamou-se presidente.

A Bélgica usou Mobutu e outros políticos para prender o popular ministro Lumumba. Os soldados de Mobutu mataram Lumumba, colocando seu corpo em ácido. Alguns documentos comprovam que o dirigente do principal partido de oposição UDPS (União pela Democracia e Progresso Social), Sr. Etienne Thsisekedi assinou o documento para a morte do pai da independência. Portanto, também este famoso e respeitado político teve participação na morte de Lumumba.

Porque o Congo se tornou Zaire

Mobutu foi um ditador sobre todo o país, de 1965 até 17 de maio de 1997, quando foi deposto violentamente por Laurent Desire Kabila. Durante o governo de Mobutu, tudo se atrofiou no Congo, cujo nome foi trocado para Zaire em 1973. Reflete o Zaire de hoje a ditadura de Mobutu, que nada fez além de roubar o dinheiro e minerais, para seu lucro pessoal ou interesse familiar. Mobutu sacrificou opositores. Ele até mesmo massacrou intelectuais da Universidade de Lubumbashi.

Na capital, Kinshasa, existe um aeroporto internacional, um dos mais importantes da África. Outro aeroporto é o de Gbadolite, também internacional, que já recepcionou presidentes e outras personalidades. Gbadolite foi construído por Mobutu Sese Seko por motivos pessoais, por ser ele daquela província. Que egoísmo!

Felizmente, Mobutu se foi, mas, infelizmente, outro ditador proclamou-se presidente da República Democrática do Congo. Para expulsar Mobutu, Kabila foi ajudado pelos exércitos de Ruanda, Burundi e Uganda. Hoje, esses povos, de países vizinhos, chamados TUTSI, agridem nosso país e impropriamente, dizem que são congoleses. Na verdade, não! Eles são ruandeses, burundeses e ugandeses. No Congo não existe o povo TUTSI. Eles vêm do exterior. Rebeldes de Ruanda e Uganda usam aeroportos do Congo para se armarem e trucidar os congoleses. Eles invadem nosso território, matam nosso povo, roubam nossas riquezas minerais etc. A comunidade internacional que julgue!

Esta matéria foi publicada em Esperanto na
revista holandesa "Kontakto" e traduzida
pelo Clube de Esperanto de Campos.

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