| Livro: | Vocabulário Português-Esperanto / Esperanto-Português |
| Autor: | Carlos Domingues |
| Editora: | Liga Brasileira de Esperanto |
Carlos Domingues colaborou em dois excelentes dicionários, o Português-Esperanto, com Porto Carreiro e Couto Fernandes, e o Esperanto-Português, com Couto Fernandes. Esgotadas há muito tempo, estas obras deixaram grande lacuna no serviço de livros da Liga Brasileira de Esperanto.
Como a revisão da primeira das obras citads, de que se incumbiu o eminente Porto Carreiro, demandaria muito tempo, Carlos Domingues elaborou um dicionário conciso que atendesse às necessidades imediatas dos alunos dos cursos de esperanto e também servisse aos esperantistas experientes como substituto cômodo de um dicionário grande. Este Vocabulário é o fruto de seu trabalho, que infelizmente não chegou a ver publicado.
Será oportuno recordar aqui a figura deste admirável esperantista brasileiro que presidiu a Liga Brasileira de Esperanto de 1948 a 1974.Carlos Augusto Guimarães Domingues nasceu em 5 de maio de 1896, em Recife, Pernambuco, onde se diplomou em Ciências Contábeis e Direito.
Em 1938 mudou-se para o Rio de Janeiro, destacando-se como advogado, professor, jornalista e tradutor.
Conhecedor de vários idiomas, fez importantes traduções publicadas por Irmãos Pongetti Editores, onde dirigiu uma série de estudos históricos e biográficos. Do italiano traduziu o incunábulo "Tratado das Contas e da Escrituração", de Paciolo, a mais antiga obra de contabilidade que se conhece, publicada em Venezaa, em 1494.
Foi membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Geografia, do Instituto de Contabilidade, do Brazila Klubo "Esperanto"; membro vitalício da Associação Brasileira de Imprensa e redator da revista da Sociedade Brasileira de Geografia, da revista do Instituto de Contabilidade e da revista da Liga Brasileira de Esperanto.
Foi procurador-adjunto do Tribunal de Contas da União e professor catedrático de Direito Judiciário da Faculdade de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tendo ensinado durante longo tempo língua nacional no Colégio Pedro II.
Com 13 anos de idade, estava elaborando uma língua internacional, quando lhe chegou às mãos uma gramática de esperanto, que o fez abandonar seu projeto para dedicar-se ao estudo da língua de Zamenhof.
Em 1926 e 1929, participou dos Congressos Universais do Esperanto, realizados respectivamente em Edimburgo e Budapeste, como representante de várias instituições brasileiras.
Eleito em 1932 para a então "Lingva Komitato", passou em 1949 com a remodelação da Academia a fazer parte desta. Desde 1935 até sua morte foi membro da "Komitato" da U.E.A.
Como presidente da Liga Brasileira de Esperanto, emprestou ao movimento esperantista seu prestígio, inteligência e talento, contribuindo para a divulgação do esperanto e para o respeito que cerca a Língua Internacional em nosso país.
Ensinou esperanto em importantes instituições e, até os últimos dias de vida, dirigiu o curso magistral da Liga.
Traduziu páginas de Mário Rangel, Rui Barbosa, Machado de Assis, Humberto de Campos e Ida Baccini; colaborou na "Enciklopedio de Esperanto", no "Internacia Komerca Ekonomia Vortaro", na "Antologio de Brazilaj Rakontoj" e na tradução do romance "La Mistero".
Homem de extraordinária cultura, aclarava tudo o que fazia com sua inteligência brilhante, conseguindo aliar erudição à simplicidade. Dedicando-se integralmente aos trabalhos da Liga Brasileira de Esperanto, não deixou obra vasta nem lhe sobrou tempo para traduzir, de Machado de Assis, seu autor preferido, Dom Casmurro, o qual encontraria nele o intérprete perfeito. Escondeu-se no anonimato, completando ou refazendo obra alheia. Ficaram poucas peças, mas que revelam o saber profundo, sendo famosos os prefácios que escreveu, pequenas jóias literárias.
Tratava a todos com lhaneza, sem distinguir condição social. Dotado de alto senso de justiça, era contrário à pena de morte porque esta não permitia ao culpado o arrependimento. Generoso, ocultava os benefícios ao favorecido. Fiel aos amigos, era eternamente grato aos que o ajudavam. Tímido diante de elogios, era pródigo em louvar.
No movimento esperantista de que fez um sacerdócio, Carlos Domingues admirava em Couto Fernandes a perseverança; em Caetano Coutinho, o domínio da Língua Internacional; em Irani Baggi de Araújo, a dedicação. Partiu sem saber que nele se reuniam as três qualidades.
A pedido de amigos, esse admirável esperantista elaborou a presente obra. Antes de mandar imprimí-la, desejava fazer algumas alterações nos originais. Infelizmente a morte o surpreendeu na manhã de 22 de fevereiro de 1974. Coube-nos o dever, como seu sucessor, de publicá-la; e o fazemos sem tocar nos originais, por nos faltar méritos. Será tarefa de esperantistas competentes, para edições futuras.
Rio de Janeiro, 1º de outubro de 1977
Luiz A. B. Martins
Como foi dito no prefácio da primeira edição, o trabalho de Carlos Domingues como dicionarista foi sempre meticuloso e intenso. Mas seu súbito falecimento, em 1974, impediu que visse publicado este "substituto cômodo" dos grandes dicionários em que colaborou.
Seus sucessores na presidência da Liga Brasileira de Esperanto trataram todos com grande carinho esta obra preciosa para alunos e principiantes. Luiz Alberto Martins deu-lhe o acabamento. Eu providenciei suas duas primeiras impressões. Fernando Galvão Marinho e Nelson Pereira de Souza deram continuidade às reimpressões que se fizeram necessárias. E agora a atual presidente Néia Lúcia Souza encomendou-me a preparação desta segunda edição. Com prazer dediquei-me à tarefa solicitada.
Foi feita uma revisão completa do original, eliminando-se todos os erros de impressão detectados. Mas nenhuma outra alteração foi realizada, já que a este vocabulário está hoje incorporado um suplemento destinado à atualização e complementação.
A atual diretoria da Liga e eu próprio estamos certos de que as futuras diretorias e o público esperantista luso-brasileiro continuarão tratando este vocabulário com o mesmo carinho recebido pela primeira edição.
Sylla Chaves
maio/1989.
Duas edições do Vocabulário Português-Esperanto/Esperanto-Português, de Carlos Domingues, num total de 7000 exemplares, esgotaram-se há mais de uma ano, e até hoje nos chegam pedidos de todo o Brasil e do exterior, principalmente de Portugal. Isto demonstra que a obra constitui importante material auxiliar para o estudo do Esperanto.
Consciente da necessidade deste livro, que se destina não somente aos iniciantes, como também aos mais experientes, a Liga Brasileira de Esperanto houve por bem trazer a público esta 3ª edição, que certamente propiciará a todos uma consulta rápida e segura sobre o significado das palavras.
Nesta edição foram feitas pequenas modificações para eliminar alguns erros de impressão da anterior e atualizar dados sobre a Liga Brasileira de Esperanto.
BEL-Libroservo
dezembro/1995.