Antigamente, quando a vida comunitária era simples e limitada, a linguagem falada era suficiente para os contatos entre grupos humanos próximos. A comunicação entre as pessoas se fazia diretamente, sem problemas. Um recado, enviado por meio de um menino, era facilmente entendido e atendido.
Quando as relações se ampliaram e passaram a se realizar entre pessoas afastadas, as comunicações se tornaram difíceis. Surgiu, então, a necessidade de se escrever um recado, para evitar esquecimentos; de se mandar uma carta dando notícias ou encomendando uma mercadoria. As "novidades", que antes eram transmitidas oralmente aos viajantes, foram aos poucos, sendo substituídas pelas informações escritas, pelo jornal, pelo almanaque, pelo livro.
A escrita passou a ser indispensável. Todo mundo tinha que se esforçar para aprender a ler e a escrever. Isto era muito importante. Quem não sabia (ou não sabe) ler e escrever, era (é) chamado de analfabeto, o que, na prática, corresponde a ignorante Os analfabetos ficavam privados de participar do progresso.
Depois, o telefone e o telégrafo vieram possibilitar e acelerar as comunicações à distância. Foi um passo à frente para aproximar as pessoas.
Atualmente, o desenvolvimento fabuloso dos meios de comunicação (revistas, jornais, livros, TV, telex etc.) e dos meios de transporte (em especial o avião) permitem levar informações, o progresso, a ciência, a técnica, a cultura geral, rapidamente, a todas as partes do planeta. Mas os analfabetos continuam marginalizados deste processo.
Não é possível a marcha para o desenvolvimento, isto é, para o aproveitamento de todas as potencialidades e riquezas existentes nos países subdesenvolvidos, sem o emprego das modernas técnicas e recursos, que só podem ser convenientemente dominados por indivíduos capazes de ler e de escrever.
Há um enorme hiato, um enorme buraco cultural, separando os chamados "subdesenvolvidos" dos considerados "desenvolvidos". Infelizmente é uma incontestável realidade.
Os homens dos países desenvolvidos estão rodeados de conhecimentos, de técnicas, de produtos, de aparelhos e de processos modernos, resultantes do avanço científico e das pesquisas que, em suas nações se efetuam dia-a-dia.
Suas vidas decorrem em condições crescentes de bem-estar, de recursos para aprender e se desenvolver que os faz correr, cada vez mais, na frente dos subdesenvolvidos (nós). Os subdesenvolvidos (ou "em desenvolvimento", como alguns preferem disfarçar a realidade) vão ficando para trás, na ignorância das coisas, no atraso dos métodos, no analfabetismo, na doença e outras mazelas do subdesenvolvimento. Ficam à margem de uma civilização da qual não participam nem aproveitam. Apenas servem de mão-de-obra. Trabalham e se esfalfam para, vivendo mal, ou mal vivendo, alimentarem a prosperidade e o bem-estar dos desenvolvidos!
É triste ser analfabeto! O analfabetismo limita as criaturas.
Se alguém domina apenas a sua língua nacional, é como se fosse analfabeto nas demais línguas! É um analfabeto internacional!
Se não lê, não escreve, não entende, nem fala as línguas dos mais desenvolvidos, é cego, surdo e mudo, em relação a essas línguas!
As culturas dos outros povos lhe estão fechadas, barradas pelas muralhas lingüísticas. E por falar em línguas, dizem que no mundo há mais de 3000! Um verdadeiro caos para as comunicações.
"Então, vamos estudar inglês", sugerem uns.
"Ora, se o inglês resolvesse o problema de entendimento internacional, a ONU, a UNESCO, a COMUNIDADE EUROPÉIA etc, não precisariam adotar tantas línguas oficiais e de trabalho nas suas atividades".
"Mas, usar a língua inglesa é uma boa solução".
"É uma afirmação interessante - para os povos de língua inglesa! Estes falam o inglês desde criança e são os únicos que realmente chegam a dominá-lo. Mas tais povos constituem apenas 10% da população mundial; os outros 90% ainda estão buscando uma solução mais prática para o problema de língua internacional".
"Mas o inglês é uma força!".
"Sim, uma força dominadora. Os povos de língua inglesa levam uma enorme vantagem sobre os demais. A todos vendem sua cultura, seus livros, suas revistas, seus conhecimentos. Dominam todo o mundo sem fazer muita força! Os "outros" serão sempre os alunos e "eles" os professores, os modelos. Puro colonialismo cultural e tecnológico. (E olha que não faltam colaboradores!)"
"E aí? Qual é, então, a solução racional?"
"Todos aprenderem o ESPERANTO, ao lado de sua língua materna".
"ESPERANTO? Que é isso?"
"Ora, ora. Procure se informar. É uma solução simples para um problema difícil. É o remédio adequado para superar as barreiras lingüísticas que separam os povos, isto é, para superar o "analfabetismo internacional" que assola o mundo desde Babel. Entendeu?"
"Yes, yes!".
Autor: Eng. Alberto Flores
Volta Redonda, RJ