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Ivo Lapenna - O Modernizador do Movimento EsperantistaIntrodução
Inicialmente, caberia indagar o “porquê” deste epíteto para Ivo Lapenna: o modernizador do movimento esperantista. Antes de mais nada, é preciso reconhecer que Ivo Lapenna se constitui num marco divisório da história do movimento esperantista. Podemos dizer, sem titubear, que o movimento esperantista se constitui de dois momentos: antes e depois de Ivo Lapenna. A atuação de Ivo Lapenna no movimento esperantista internacional inicia-se logo após a 2ª Guerra Mundial e se estende até 1974, quando ocorre um evento no Congresso Universal em Hamburgo que o leva a retirar-se de cena. Nesse período, introduz inúmeras reformas e iniciativas, transformando um movimento até então de certa forma amador num movimento respeitado e reconhecido até mesmo por organismos internacionais. Dados BiográficosIvo Lapenna nasceu em Split (Dalmácia, antiga Iugoslávia) em 5 de novembro de 1909. O pai, Petar, era engenheiro e professor universitário e a mãe, Amélia, pianista. Fez o ginásio clássico inicialmente em Split e posteriormente em Zagreb, onde conclui o curso com sucesso. Em seguida, ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Zagreb, onde se diplomou em 1932, tornando-se doutor em 31 de outubro do ano seguinte. Nesse mesmo ano, conclui a oitava série do curso médio da Academia de Música em Zagreb, na especialidade “violoncelo” e diploma-se como professor secundário de Música. Após cumprir o serviço militar obrigatório em 1933/1934, na Escola de Oficiais da Reserva em Tuzla (Bósnia), torna-se tenente da reserva. Nesse mesmo período, desenvolve a prática jurídica em tribunais e em escritórios de advocacia. Em 1938, faz o exame prático jurídico junto à Corte de Apelação de Zagreb. Em outubro de 1941, em virtude da ocupação de Zagreb por tropas nazistas e em função de suas idéias e atividades progressistas, é obrigado a ir para a clandestinidade. Tempos depois, adere ao Movimento de Libertação Nacional e, em 1943, ao Exército de Libertação Nacional. Em 1945, após a Guerra, é desmobilizado, tornando-se oficial da reserva do Exército Iugoslavo, no posto de major. Retornando à vida civil, torna-se Chefe do Departamento de Imprensa Doméstica da Croácia e, depois, Redator do Diário Oficial da Croácia. Em seguida, docente e professor de Direito e Relações Internacionais, junto à Faculdade de Direito da Universidade de Zagreb, além de palestrante sobre História das Relações Diplomáticas e História das Doutrinas Políticas nessa mesma faculdade e sobre Relações Internacionais na Faculdade de Economia. Além disso, participa como conselheiro sobre Direito Internacional na Delegação Iugoslava junto à Conferência de Paz em Paris, em 1946. Atua, também, como advogado-conselheiro da Albânia num processo contra a Grã Bretanha junto à Corte Internacional de Haia, em 1947/1948. Em 1948, torna-se membro-correspondente da Academia Iugoslava de Ciências e Artes, em Zagreb. Participa entre 1946 e 1949 de diversas conferências jurídicas nacionais e internacionais em Belgrado, Paris, Brŭelas e na Academia Internacional de Direito em Haia. Entretanto, a partir do fim de 1949, Lapenna deixa a Iugoslávia e passa a residir no exterior. Primeiramente, em Paris, e desde metade de 1951 em Londres, onde, posteriormente, adquire a cidadania britânica. Torna-se colaborador do Centro Nacional Francês para Pesquisas Científicas, para o qual escreve a obra “Conceitos Soviéticos de Direito Internacional Público”. Em Londres, exerce vários cargos, desde 1956: pesquisador, palestrante, docente e professor sobre Direito Comparado da União Soviética e Europa Oriental na famosa The London School of Economics and Political Science da Universidade de Londres. Após sua aposentadoria, em outubro de 1977, recebe o título de Professor emérito dessa mesma matéria junto à Universidade de Londres. Apesar disso, a pedido das próprias autoridades universitárias, dá continuidade a seu costumeiro trabalho universitário. Em 1972, recebe da Universidade em Fort Lauderdale (Estados Unidos) o título de “Doutor Honoris Causa sobre Relações Internacionais”. Participa como membro de vários institutos e sociedades jurídicas, entre os quais o importante Institute of World Affairs, em Londres. Em acréscimo aos seus trabalhos de ensino e pesquisa na área jurídica, lecionou, como professor visitante convidado em diversas universidades ou institutos jurídicos, a saber, Beograd, Uppsala, Stockholm, Hamburg, Koln, München, Venezia, Paris, Strasbourg, New York, Washington, Harvard, Yale, Sydney e Camberra.
Ivo Lapenna faleceu em 15 de dezembro de 1987 em Copenhagen, Dinamarca, sendo aí enterrado. Ivo Lapenna EsperantistaIvo Lapenna aprendeu esperanto autodidaticamente, em 1928. Torna-se co-fundador do Studenta Esperanto-Klubo (posteriormente, Akademia Esperanto-Klubo) na Universidade de Zagreb, em 1929, sendo seu presidente até abril de 1941. É um dos fundadores do Studenta Tutmonda Esperanto-Ligo (STELO), durante o Congresso Universal em Budapest, em 1929, tornando-se seu presidente até o início da 2 Guerra Mundial. Torna-se presidente da Liga Iugoslava de Esperanto entre 1937 e 1950. Diretor e Membro do Comitê da IEL - Internacia Esperanto-Ligo (desde 1947 UEA) entre 1938 e 1974. Secretário-Geral da UEA, de 1955-1964, presidente da UEA, de 1964-1974. Fundador, em 1957, da Internacia Esperanto-Asocio de Juristoj e, desde então, seu presidente. Redator da revista Internacia Jura Revuo. Membro da Academia de Esperanto desde 1952. Fundador do Centro de Esploro kaj Dokumentado (CED), em 1952, tornando-se seu Diretor Honorário até 1975. Co-fundador do Internacia Centro de la Neŭtrala Esperanto-Movado (ICNEM), em 1980, tornando-se seu presidente. Membro do Comitê Redator de Horizonto. Saber LingüísticoPassiva e ativamente: croata, esperanto, inglês, francês, italiano, alemão, russo.
Conhecimento passivo: esloveno, macedônio, búlgaro, tcheco, eslovaco, espanhol, latim e grego antigo. Principais Etapas na Construção do Moderno Movimento Esperantista Internacional
Ao longo de sua vida: publica cerca de 300 documentos em esperanto, em inglês, em francês e em outras línguas de sua lavra e sob o selo do Centro de Esploro kaj Dokumentado pri la Internacia Lingvo, além de cerca de 1500 artigos, notícias e resenhas literárias em esperanto e em diversas línguas. Ivo Lapenna não só participou ativamente do Movimento Esperantista Internacional durante 40 anos (1947/1987), como legou aos samideanos do mundo inteiro um movimento respeitado e reconhecido no meio social. Sua presença foi tão marcante que, até os dias de hoje, passados 15 anos após a sua morte, sente-se a sua marca no modelo legado por ele e que hoje é dirigido por muitos de seus inúmeros discípulos e admiradores e, até mesmo, por muitos de seus detratores, que reconheceram o seu mérito como o grande modernizador do movimento esperantista. —
Palestra proferida por Aloísio Sartorato nas dependências da |