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Tabela de conteúdos
Estruturas Básicas da Língua Basca1. Introdução1.1. A língua bascaO basco, também chamado eusquera, euskero, euskara ou euscaro é uma língua ao que parece única, pois, apesar de muitas tentativas e de hipóteses diversas não se pôde relacionar com qualquer outra língua viva ou extinta ou filiá-la a alguma família lingüística conhecida. Sabe-se que é muito antiga e que seu território parece ter-se estendido por regiões vizinhas, mas seu território tem diminuído nos últimos séculos. Atualmente há um forte movimento de valorização dessa língua por servir de suporte a uma antiga aspiração separatista. 1.2. O domínioCalcula-se que o basco seja falado por uma comunidade lingüística que oscila entre 600.000 a 700.000 indivíduos, que se denominam euskaldun (falante de basco). A maior parte desta comunidade lingüística reside no País Basco (Euskal Herria). Esta comunidade autônoma do Estado Espanhol é composta de três províncias: Álava, Guipúscoa e Biscaia, no entanto o domínio da língua basca, por um lado não cobre totalmente o País Basco e por outro estende se por parte da vizinha comunidade autônoma de Navarra, também no Estado Espanhol e pelo departamento dos Pirineus Ocidentais, na França, conhecido também como País Basco francês. A área da língua basca cobre total ou parcialmente sete territórios. De oeste para leste, esta área inclui no Estado Espanhol: a província de Biscaia (exceto o canto ao ocidente de Bilbao e a própria cidade); a parte norte da província de Álava; a província de Guipúscoa, e a área noroeste da comunidade autônoma de Navarra. Na França: o território de Lebourd (exceto as áreas urbanas de Baiona, Anglet e Biarritz); a Baixa Navarra e o território de Soule. 1.3. HistóriaParece que o basco sempre foi falado por uma pequena comunidade que nunca iria além de 700.000 pessoas. Na Idade Média, a área cobria todo o País Basco, menos a ponta ocidental de Biscaia e a ponta mais ao sul de Navarra e Álava. Durante séculos, esta área se expandiu além do País Basco para o sul, partes da região da Rioja, e para o norte de Burgos. Possivelmente tenha havido variedades dialetais. A partir da Idade Média, a área em que o euscaro era a língua de comunicação dominante tem encolhido continuamente. No século XVIII perdeu grande parte da província de Álava e, no século XIX, grandes partes de Navarra. Por outro lado, as fronteiras do norte permaneceram estáveis porque a língua em contato não era o francês e sim o gascão, uma variedade remota do ocitânico. Hoje, o território do euscaro está reduzido a Biscaia (menos a ponta ocidental e a cidade de Bilbao), Guipúscoa, a área noroeste de Navarra e o País Basco do Norte (na França), exceto as áreas urbanas. Hoje, na área do basco, só um quarto dos habitantes do País Basco e pouco mais da metade de todo o território do domínio conhecem a língua basca. Atualmente, o número está aumentando devido às novas gerações que têm o basco na escola, assim como a muitos adultos que o estudaram ou estão estudando. (Fonte: Intxausti, 1990.) 1.4. Traços antigos da língua
Aparecem nomes próprios em inscrições romanas na Aquitânia (antropônimos e nomes de divindades). Há também alguns adjetivos e sufixos. Os primeiros traços escritos pertencem aos primeiros séculos da nossa era. 1.5. O basco não é língua indo-européiaComo vimos, o basco não pertence a qualquer família lingüística conhecida. Constitui uma ilha lingüística, pois todas as línguas de seu entorno têm origem indo-européia, contudo, historicamente vem recebendo empréstimos do latim e de outras línguas. O basco está dividido em vários dialetos, mas a língua que se estuda atualmente é uma espécie de coiné chamada Euskara Batua.
1.6. Formação do vocabulárioO vocabulário basco é formado de palavras bascas antigas e de empréstimos indo-europeus, porém os elementos gramaticais não têm qualquer relação com o indo-europeu. A flexão nominal e verbal do basco é completamente diferente. Uma de suas características mais importantes é o caso ergativo. Neste caso encontram-se os sujeitos dos verbos transitivos, marcados com o morfema sufixal k. O basco teria tido relações históricas com o caucásico do norte, do sul ou com ambos. Nunca foi uma língua homogênea. Nele parecem encontrar-se traços que remontariam ao paleolítico. As inscrições pré-romanas da Aquitânia são o mais antigo testemunho do basco. O ibero era uma língua não-indo-européia com a qual o basco deve ter estado em contato, mas os textos iberos encontrados não puderam ser decifrados com o aŭílio do basco. 1.7. EmpréstimosAtravés da história, o basco tomou empréstimos não só do latim, castelhano e francês, mas também do céltico: zilar (prata); do árabe; azoka (mercado), gutuna (letra). Por outro lado, palavras como o espanhol izquierdo, o português esquerdo, o catalão e o gascão esquerre têm origem no basco esquerra, ezker, assim como as palavras espanholas chatarra (sucata, ferro-velho) e chaparro (mata rasteira), se originam respectivamente nas palavras bascas txatarra e txaparro. A língua basca não foi escrita até o século XVI, o que não foi obstáculo para o desenvolvimento de uma rica literatura oral, que se mantém viva ate hoje. Curiosamente, os primeiros textos em língua basca aparecem nas Glosas Emilianenses do século X. O Codex Calixtinus do século XII contém algum vocabulário basco dos peregrinos que faziam sua peregrinação a Santiago de Compostela, mas o primeiro livro escrito em basco por Bernard Dechepare, Linguae Vasconum Primitiae, não foi publicado até 1545. Um movimento importante para o basco foi a recente abertura de escolas chamadas ikastolas. Uma rede paralela de escolas foi organizada para satisfazer o ensino do basco. Hoje estas escolas estão fazendo parte da rede escolar da Comunidade Autônoma, mas no País Basco Francês e em algumas partes de Navarra, as ikastolas são as únicas que oferecem ensino da língua. O Príncipe Luis Luciano Bonaparte publicou em 1883 sua Carta Lingüística. Nesta obra considera o basco dividido em sete dialetos principais (o roncalês, o 8o, já estava morto), e vários subdialetos. O motivo de tanta diversificação é a situação geográfica e o fato de que até recentemente o basco era falado principalmente em áreas rurais. Com a finalidade de modernizar a língua, a partir de 1964, passou a pensar-se em uma língua unificada. A Euskaltzaindia (Academia da Língua Basca), fundada em 1918, encarregou-se dessa tarefa a partir de 1968. A língua unificada basca recebeu o nome de Euskara Batua e está baseada principalmente na variedade de dialetos desde Leburde (com maior tradição literária) até Guipúscoa. Apesar de controvérsias, o Euskara Batua é atualmente a variedade de basco usado na mídia, na literatura e no ensino. 1.8. Pronúncia do bascoA pronúncia do basco não oferece grandes dificuldades: Existem apenas cinco fonemas vocálicos, como no castelhano, embora a sílaba tônica seja flutuante. A palavra isolada é pronunciada como oxítona. Alguns fonemas consonantais:
g: ge e gi como em castelhano e português gue e gui, respectivamente; Primeira Lição = Lehenengo Ikasgaia
Assim, por exemplo, 637 é escrito seirehun (ta) hogeitahamazazpi, enquanto 2429 é escrito bi mila laurehun (ta) hogeitabederatzi. 1 casa– etxe bat; 2 casas– bi etxe (observe a mudança na ordem vocabular); 3 casas – hiru etxe; 4 casas – lau etxe
Os três primeiros são compostos de aste (semana) com lehen (primeiro), arte (intervalo, entre) e azken (último). Estas formações transparentes não encontram paralelo em qualquer outro lugar. 2. Morfologia Nominal
A morfologia nominal é predominantemente aglutinante, assim como a verbal, mas esta, ao mesmo tempo, exibe um alto grau analítico. A língua é exclusivamente sufixal, com exceção de alguns prefixos na morfologia verbal. A derivação prefixal só se encontra em neologismos. O processo de composição é produtivo para substantivos, verbos e para alguns adjetivos. 2.1. GêneroO basco não marca o gênero gramatical. Só há gênero no tratamento familiar na morfologia verbal. Nos substantivos e adjetivos só pode aparecer como empréstimo do espanhol, fenômeno moderno. O sexo só se marca quando se relaciona com o pronome da segunda pessoa do singular. às vezes é marcado no verbo. Os substantivos não são flexionados diretamente: somente os sintagmas nominais são flexionados no final. Com raras exceções, o sintagma nominal contém um determinante. Os determinantes são de dois tipos: definidos e indefinidos. 2.2. Pronomes e DemonstrativosOs pronomes pessoais são: ni (eu), hi (tu, você), gu (nós), zu (vós), zuek (vocês). Hi é de uso muito restrito, somente se usa entre familiares ou pessoas íntimas. Geralmente se usa zu (vós), mesmo para uma pessoa só. Em geral, não há pronomes de terceira pessoa. Em seu lugar usam-se os demonstrativos hau (este); hori (aí), e hura (lá). Estes três demonstrativos suprem a falta dos pronomes de terceira pessoa. Algumas variedades ocidentais criaram recentemente os pronomes de terceira pessoa bera (ele / ela) e berak ou eurak (eles / elas). Estas formas eram usadas historicamente como pronomes enfáticos (ele mesmo, etc.). 2.3. NúmeroO singular é indicado pelo determinante -a (o, a) e o plural é formado com a adição do morfema -k a este determinante. às vezes ocorre mudança a > e por motivos fonéticos. Quando há numeral, demonstrativo ou quantificador na sentença não se usa morfema de plural. Há quatro determinantes definidos: os três demonstrativos: hau (este); hori (aí); hura (lá), e o artigo definido: o sufixo a (o, a). Estes quatro determinantes diferenciam o número (singular e plural). Todos os outros determinantes são indefinidos e não podem fazer distinção de número. Vejamos alguns exemplos com o uso de etxe (casa):
etxea (a casa); etxeak (as casas); etxe zuria (a casa branca); etxe zuriak (as casas brancas); etxe bat (uma casa ou uma certa casa, dependendo da acentuação prosódica); etxe zuri bat (uma casa branca); bi etxe (duas casas); bi etxe zuri (duas casas brancas); etxe asko (muitas casas); etxe hau (esta casa); etxe hauek (estas casas); etxe zuri hau (esta casa branca) 2.4. CasosExiste mais de uma dúzia de casos marcados com sufixos. Com somente algumas complicações fonológicas triviais, todos os sintagmas nominais da língua flexionam de maneira idêntica, exceto os animados, que formam seus casos de maneira algo diferente dos inanimados. A morfologia nominal é ergativa. O sujeito de verbo intransitivo e o objeto direto de verbo transitivo pertencem ao caso absolutivo (sufixo zero). O sujeito de um verbo transitivo pertence ao caso ergativo (sufixo k). A marcação do caso ergativo aplica-se a todos os tipos de combinações de sintagmas nominais, em todos os tempos, aspectos e modos e em todo tipo de orações.
Há outros dois sufixos que às vezes são tratados como casos, mas eles não podem ser adicionados a sintagmas nominais que contenham um determinante.
O absolutivo caracteriza-se pela ausência de morfema marcador. Sua marca é zero. O ergativo é marcado com k no final do morfema nominal. O ergativo marca o sujeito dos verbos transitivos. O dativo corresponde aproximadamente ao dativo do latim, representado no português pelo objeto indireto. O basco marca o dativo no final do sintagma nominal com i.
Alguns exemplos de casos
Absolutivo
otsoa etorri da.
Ergativo
ehistariak otsoa harrapatu du.
Dativo
zazpi gizoni eman diet lana Partitivo O partitivo pode ser marcado no absolutivo. Discute-se se o partitivo é um caso ou um determinante. Poderia ser considerado um pronome indefinido, com o significado aproximado de qualquer. Exemplo:
zazpi gizoni ez diet lanik eman. Morfema ga e morfema ta Quando uma posposição locacional tem um sintagma nominal animado, coloca-se ga entre o animado e seu complemento, mas, quando é inanimado, o morfema é ta. Exemplos:
a) gure amaren gan
b) adidiske leialaren gan Nos inanimados distingue-se entre os que têm determinantes singulares e os que não têm:
a) adiskedearen argazkian
b) Pirinioko mendio tan Quantificadores ordinais. São formados com o sufixo -garren acrescentado ao cardinal, menos bat (um), cujo ordinal é lehen (primeiro):
a) zapigarren etxea (a sétima casa) 3. Morfologia VerbalA morfologia verbal é quase toda perifrástica. A grande maioria dos verbos só possui formas perifrásticas, que consistem numa forma não finita, marcada quando muito no aspecto, e um aŭiliar finito. O aŭiliar está marcado para tempo e modo e contém a concordância completa. A concordância é extensa: um verbo finito geralmente concorda em pessoa e número com seu sujeito e com seu objeto direto (se houver). A concordância com a 3a pessoa é zero, exceto para objetos indiretos e para o plural, que normalmente se marcam. A concordância é normalmente ergativa: prefixos para os absolutivos e sufixos para os ergativos. Algumas formas do passado são excepcionais por terem ergativos marcados por prefixos. Os objetos indiretos são marcados por sufixos precedidos por morfemas abertos, assinalando-os como dativos. Os verbos intransitivos são conjugados com o aŭiliar izan (ser, estar), que também funciona como verbo independente. Os verbos transitivos são conjugados com o aŭiliar ukan (ter). As variedades de basco espanhol têm dois verbos de ligação: izan (ser) e egon (estar). Izan é um verbo muito irregular.
4. SintaxeO basco é basicamente uma língua SOV (sujeito - objeto - verbo), mas esta ordem não é rígida. Vejamos alguns exemplos:
umea kalean erori da
criança-det rua-loc caída é
emakumeak gizona ikuri du
mulher-det-E homem-det visto tem
gizonak umeari liburua eman do
homem-det-E criança-det-D livro-det dado tem Os principais sintagmas de uma oração, incluindo o verbo, podem se permitir alguma liberdade, porém a ordem vocabular dentro dos principais sintagmas é rígida. O basco é uma língua que se inicia pelo final: todos os modificadores (exceto adjetivos lexicais) precedem seu elemento principal; isto inclui os modificadores complexos como as orações de relativo. A língua é exclusivamente posposicional. O artigo indefinido é um sufixo, -a, no singular e -ak, no plural. O artigo indefinido bat e de uso restrito. Geralmente equivale a um certo. Exemplos: etxe (casa), etxea (a casa), etxeak (as casas); etxe bat (uma certa casa); etxe zuria (a casa branca); etxe zuriak (as casas brancas); etxe zuri bat (uma casa branca). De etxean (na casa), temos etxeko (quem / o que está na casa); isto é usado para formar sintagmas como etxeko atea (a porta da casa), etxeko andrea (a senhora da casa), etxeko giltza (a chave da casa), e etxekoak (as pessoas da casa).
Comparemos com o caso genitivo comum etxearen (da casa), como em etxaearen izena (o nome da casa) e etxearen historia (a história da casa). 5. LéxicoO basco esteve em contato intenso com o latim e com o romance durante 2.000 anos, por isso recebeu milhares de empréstimos das línguas vizinhas. Aqui estão alguns dos empréstimos mais antigos do latim: liburu (livro); harea (areia); diru (dinheiro); katea (cadeia, corrente); ahate (pato); errege (rei); lege (lei); gerezi (cereja); ziape (mostarda); mila (mil); porru (alho-porro); eztainu (estanho, zinco); bago, pago (praia); aditu (ouvir, entender); bedeinkatu (benção); laket (agradar). Entre os empréstimos posteriores do romance se encontram zeru (céu); putzu (poço); leku (lugar); berde (verde); motz (curto); oilo (galinha); horma (muro); kantu, kanta (canção); gustatu (agradar, gostar); pintza (membrana); mulo (meda, monte de feno); kobratu (coletar, cobrar); kotxe ou boitura (carro). Algumas palavras podem ser empréstimos muito antigos de línguas célticas, entre elas mando (mulo); maite (amado, a), e adar (chifre). Há um ou dois empréstimos do árabe, incluindo gutun (letra) e atorra (camisa). Apesar dos empréstimos, o núcleo do vocabulário consiste de palavras indígenas. Exemplos: gizon (homem); emakume (mulher); alaba (filha); seme (filho); neska (moça); mutil (garoto); gazte (jovem); haur (criança); ama (mãe); taita (pai); osaba (tio); iseka (tia); amama (avó); aitite (avô); adiskide (amigo); ehistari (caçador); buru (cabeça); mihi (língua); esku (mão); oin (pé); belarri (ouvido); bihotz (coração); zaldi (cavalo); urde, zerri (porco); otso (lobo); gure (nosso); bada (sim); ez (não); on (bom); eta (e); ongi (bem); txar (mau, ruim); handi (grande); zuri (branco); beltz (preto); mendi (montanha); ibai (rio); argi (luz, brilho); hotz (frio); ur (água); su (fogo); burdina (ferro); lur (terra); lana (trabalho); iturri (primavera); aste (semana); zembaki (número); izan (ser, estar); ukan (ter); etorri (vir, chegar); joan (ir); hartu (tomar, pegar); jaio (nascer); egin (fazer); eman (dar); harrapati (pegar, agarrar, caçar). No século XIX, o nacionalista Sabino de Arana cunhou muitas centenas de neologismos, a maioria deles muito mal formados. Somente alguns encontraram lugar na língua: Euskadi (País Basco); idatzi (escrever); eratorri (derivar); ikurrin (bandeira basca); gudari (soldado basco); aberri (terra natal); abertzale (patriota). A maior parte de suas outras excêntricas criações são hoje peças de museu. Nos últimos anos, o uso do basco para fins políticos, culturais e técnicos exigiu a cunhagem de milhares de neologismos como os seguintes: hozkailu (geladeira); hauteskunde (eleição); lagunkide (simpatizante); sudurkari (nasal); harremanak (relações); biderkatu (multiplicar); ikerketa (pesquisa); ortzune (cosmos); izenlagun (modificador adjetival complexo). Além destes, muitas palavras arcaicas e regionais foram postas em circulação, tais como berezkuntza (distinção) e etorki (origem, fonte). É de se notar o uso de palavras independentes como prefixos na criação de neologismos. O uso de prefixos é completamente novo no basco. Exemplos: gainjarri (sobrepor) de gain (topo) + jarri (pôr); aurrehistoria (pré-história) de aurre (frente); kontrajardun (opor) de kontra (contra) + jardun (atarefado). A palavra indígena irauli (virar, capotar) oferece bons exemplos de formação vocabular moderna. Seu significado foi ampliado para revolta, rebelde. A partir daí, formou-se iraultza (revolução), com o sufixo nativo -tza, que forma substantivos abstratos de ação e iraultzaile (revolucionário), com o sufixo nativo -tzaile (alguém que age). Este último produziu kontrairaultzaile (contra-revolucionário), com o novo prefixo kontra (contra), que é um empréstimo da preposição românica contra. Amostra de um texto tirado de um artigo sobre educação da revista Argia. (A Luz)
Eusko Jaurlaritzako Hezkuntza Sailak aste honetan aurkeztuko duen eskola mapari buruz hainbat kezka zabaldu da. Sare publiko ordezkariei ez zaiela inolako informaziorik eman haizatu du EILAS sindikatuak. ARGIAk jakin duenez, sare pribatuan geratu diren ikastolek osatu duten partaide kooperatibak eta Eneko Oregik berriki izandako bilera modu txarrean amaitu zen. Analisemos a primeira sentença: Eusko Jaurlaritza (o Governo Basco). O sufixo -ko marca o sintagma como possessivo, modificando Hezkuntza Saila (o Departamento de Educação). Este, por sua vez, recebe o sufixo ergativo -k, marcando-o como sujeito de verbo transitivo. A seguir, aste (semana) e hon-, radical de hau (este); com a terminação locativa -n, (nesta semana). O morfema -ta- é uma anomalia encontrada em certas formas locais de caso; aurkeztu (apresentar), com o sufixo -ko, e du, forma do aŭiliar transitivo; a terminação -en indica que é oração de relativo; eskola mapa (mapa escolar). A terminação de dativo é marcada com -i porque buruz (a respeito) rege o caso dativo; hainbat (muitos) e kezka (problema) não levam artigo nem plural porque o quantificador hainbat não os aceita; zabaldu é o particípio perfectivo do verbo espalhar e da é o aŭiliar intransitivo porque o verbo está sendo usado passivamente. Tradução: Surgiram muitas dificuldades com o mapa escolar que será apresentado esta semana pelo Departamento de Educação do Governo Basco. Segunda sentença: Sare (rede), publiko (público); ordezkari (representante), com a terminação de dativo plural -ei; ez (não). A forma aŭiliar zaielan é intransitiva marcada como dativo na 3a. pessoa do plural; este aŭiliar também leva o sufixo -la (aquele), que indica que a oração é subordinada. Inolako (de qualquer maneira) é um sintagma -ko do advérbio inola (de qualquer maneira). Informazio (informação) leva o afixo partitivo -® ik porque é o objeto lógico do verbo de negação que segue, que está na passiva, assim informaziorik é tecnicamente seu sujeito. Esse verbo é eman (dar); a forma perifrástica eman zaie significa que tem sido dado a eles, mas a forma completa aqui é ez zaiela ... eman, significando que alguma coisa não tem sido dada a eles. Haizatu (soprar) está sendo usado metaforicamente para significar protesto, reclamação e du é a forma aŭiliar transitiva. Finalmente, EILAS sindikatua (o sindicato EILAS) o -k marca-o como sujeito do verbo transitivo haizatu du. Tradução: O sindicato EILAS lamenta que não tenha sido dado qualquer tipo de informação aos representantes do sistema escolar público. A terceira sentença é um pouco mais complexa: Argia (nome de uma revista) aparece com o sufixo ergativo -k. Jakin (conhecer) quando é imperfectivo, mas (descobrir) quando está em forma perfectiva, como aqui. O aŭiliar du leva dois sufixos: -en, para indicar oração subordinada, e o instrumental -z para indicar como, de que modo. Sare pribatu (rede privada), com o determinante -a e o sufixo do caso locativo -n, (em). Geratu (permanecer, estar) e o aŭiliar dira, intransitivo é marcado como sujeito na 3a. pessoa do plural; e -en, indicando que é uma oração de relativo. Ikastola (escola de língua basca), aqui recebe a marca do ergativo plural -ek. Osatu (completar), aqui deve ser lido como juntar, formar; o aŭiliar transitivo é dute, marcado como sujeito de 3a pessoa do plural, e este aŭiliar também leva o sufixo -en de relativo. O sintagma partaide kooperatiba (cooperativa de sócios), também com sufixo de ergativo. Eta (e), Eneko Oregi (nome de um homem), marcado como ergativo. Advérbio berriki (recentemente). O verbo izan (ser, estar), usa-se supletivamente como particípio perfectivo com o significado de ter. O sufixo -ta, aqui -da que por motivos fonológicos muda o particípio em advérbio e assim pode receber o sufixo -ko para produzir um sintagma -ko. Este sintagma -ko é a seqüência completa que começa com sare pribatuan, uma seqüência completa começando com um verbo não finito que se tornou advérbio participial. O que tudo isto modifica é simplesmente bilera (encontro). Modu (maneira) e txar (ruim); novamente o artigo -a e a terminação locativa -n, com pequena complicação fonológica. Amaitu é o particípio perfectivo de terminar, e zen é a forma aŭiliar intransitiva do passado, levando a forma verbal completa para o passado.
Tradução: Como Argia tinha descoberto, o encontro mantido recentemente entre a cooperativa de associados formada pelas escolas de língua basca que permaneceram no sistema particular e Eneko Oregi terminou mal. Algumas indicações para consulta ou estudoHá dois bons livros de texto sobre o basco em inglês. Estes dois livros ensinam a variedade guipuscoana de Donostia (San Sebastian); o segundo vem acompanhado de fita cassete. Existe uma excelente gramática das variedades de Labourd e Baixa Navarra do basco francês:
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Palestra proferida pelo Prof. Alfredo Maceira Rodrigues (UCB) no 7º Congresso Nacional de Lingüística e Filologia realizado nos dias 25 a 29 de agosto de 2003 na UERJ - Universidade Estadual do Rio de Janeiro. |
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