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Homaranismo, A Idéia Interna

Livro: Homaranismo, A Idéia Interna
Autor: Délio Pereira de Souza
Apoio: Spirita Eldona Societo F. V. Lorenz
Preço: R$ 8,00

Entre os esperantistas e não-esperantistas, é comum referir-se a Zamenhof apenas como o criador ou, como ele mesmo se dizia, o iniciador da língua internacional Esperanto.

E o foi, realmente.

Entretanto, para que possamos avaliar a imensa estatura do seu espírito, não podemos limitar-nos a vê-lo tão-somente como o genial lingüista que legou à humanidade o mais perfeito instrumento de comunicação internacional, nem tampouco como o eminente estilista que se revelou através de dezenas de traduções das mais representativas obras da literatura universal, desde os livros do Velho Testamento até as clássicas páginas de Shakespeare, Dickens, Andersen, Schiller, Heine, Goethe, Molière e Gogol.

A grandeza de Zamenhof reside principalmente na evangélica ternura com que ele dedicou toda a sua vida à solução de um dos maiores e mais antigos problemas da humanidade - a incompreensão dos povos, incompreensão geradora dos mais profundos ódios e das guerras mais sangrentas.

Atormentado, desde a infância, pelas hostilidades decorrentes de toda sorte de preconceitos, dentre os quais avultavam os raciais, já na infância sentiu despertar em sua alma sensível e cristã o germe do sentimento a que deu o nome de “homaranismo”, e que outra coisa não era senão um grande e sincero amor à humanidade, à coletividade dos homens.

Esse sentimento não só fez de Zamenhof o protótipo do cosmopolita, como também o induziu a dotar sua língua internacional - o Esperanto - de uma certa magia, de um certo sortilégio, que ele chamou de “interna ideo” (idéia interna), e que consiste num poder misterioso, capaz de estabelecer um sentimento fraternal entre as pessoas que o praticam, qualquer que seja a raça, a nação ou a religião a que pertençam.

Em Zamenhof o gênio lingüístico não suplantou o dom apostólico. Antes, serviu-lhe de caminho - o caminho mais indicado que se devia seguir para atingir o fim desejado.

Isto é o que todo leitor sente ao ler a obra original de Zamenhof, constituída, em sua maior parte, de cartas e pequenos tratados.

Délio Pereira de Souza foi além. Captou a mensagem e não a guardou avaramente para si. Comentou-a, esmiuçou-a com paciência beneditina e no-la deu assim, de mão beijada, num gesto de cristianíssima generosidade.

Benedicto Silva

livraria/homaranismo_a_ideia_interna.txt · Última modificação: 2008/06/15 21:46 (edição externa)
 
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